Solidão é pretensão de quem fica
escondido
Fazendo fita

25.10.11

aprendi a viver no vento
e me encontro na frase ou na estrada.
mas
ainda troco palavras por um olhar
para poder ter as maças, as noites brancas, a pessoa certa
na escrita que te pariu.


24.10.11

dear presente,


Bukowski disse "you have to die a few times, before you can really live", e andamos por aí a rasgar embalagens de plástico com os dentes porque as vezes as mãos não conseguem e temos pressa. Eu posso escrever sobre acordar de boca seca, urgências, de língua solta na boca, sim, tenho uma, entre outras (muitas outras, acrescente-se), taras em que acredito.. Por aqui, poros é sinônimo de coração, o futuro é um erro ortográfico a caminho... E, há quem use teclas que os dedos escolhem para dar corpo de texto ao manifesto. Este domingo morri 7 vezes.

20.10.11


A arte de desaprender o que está na ponta da língua
libertar dos hábitos
escama abaixo
s-aliv(i)ar.

Espero que doa.

16.10.11

Me leva e não devolve.
 Me leva e constrói um bar, vamos fazer alguma coisa grave porque nada mais nos resta. Te resta?
Vai, toma, me leva.
São essas suas palavras e minha loucura, 
eu poderia morar em suas palavras,
eu e minha imaginação sem fim.
Não te conheço,
mas não posso viver sem você
assim como não posso viver sem essa minha loucura.
Vocês me salvam.



14.10.11

a boca
roxa
a povoar na noite o que precede o sono
[isto para os que dormem]
Vai-se o equilíbrio. O equilíbrio vai-se. O equilíbrio, meu amor, foi-se.








12.10.11

e então nasce em mim um amor no cérebro
e isto é brilhante, oh é.
onde náufragos se vêem num plano de salvamento
transformados em heróis num funeral agendado
e isto é brilhante
enquanto o sucesso só lhe subiu a barriga
e o coração ainda estanca
me faltam as palavras para dizer tudo aquilo de antes
e isto é brilhante, oh é.
e então vejo em mim um amor no cérebro
como uma criminosa bem vestida
vistosa assumida
sob os olhares acusadores de um mamilo de fora
declaro em mim um amor no cérebro
e tenho urgência
ou sorte.

7.10.11

comecei a passar reto onde fazia curva

e por fim, me sobrou o sorriso. porque essa história tem por fim um novo começo. enquanto no meio descobria o fim.
Era uma vez, ou melhor, Eram umas vinte e sete vezes que doía aqui. - você enxerga aqui? aqui onde faz curva. Pois bem, fora ali que tudo teve início, meio e fim. Eu esquecia de mim. mas quando doía, era eu que existia. A vida em curva.
- obrigada! - estava na ponta da língua. Em desalinho, acostumada com a sangria, era vermelho o que sinalizava a partida.
 Mas a paisagem vinha perdendo sentido, já não mais sentia. E nem mesmo os olhos fechados resistia a fantasia. E o que já fora tremenda emoção dentro da curva, virara peso em contrapartida. Um dia, há tantos e tantos dias do meio, depois do primeiro começo, longe dali, avistou a tal linha sonhada. Delgada, sutil, ligeira. Gaveta aberta. Iluminada. Sem prolongar o discurso, abriu os braços ao sabor do desconhecido. Vislumbrou ser Dona de si, traçou sua ida. partiu.
Hoje quem a vê, diz que segue reta, cabeça erguida. Ela, diz tênue- e sorri. 

2.10.11

28.9.11

mut- antes

É chegada a hora de prepararmo-nos para
 derreter
exarcerbar
calçar o chão
vestir as paredes
destilar
arrebentar
subir o chão
perder as paredes
A corrupção dos corpos é uma ordem!
Libertos da superfície
em velocidade letal
até surgirem largos loucos livres desenhos de ar sob luz intermitente
Evaporar

*
*



'Intento é a relação com o sagrado'








23.9.11

amores imaginários/pé na estrada/quero todos os elogios à mim escritos nessas paredes/o mergulho na cidade enfiada no copo de vinho/meu destino tinto marcado pra sempre/regresso amanhã envolta nas imagens circulares do amor/na absoluta onipresença das novidades que destilam minhas veias/e se tudo isso não é um sonho/e se o cavalinho se joga na chuva/se a imaginação ainda mata minha sede/e se o mundo nada mais é do que uma rolha em busca de uma janela pra estilhaçar/eu sou feliz pra cacete.


we accept you, one of us!

13.9.11


Preciso de um coração novo. Um coração com menos entulho, menos barulho. Com menos destroços. Com menos abraços desfeitos, menos unhas cravadas -  e se possível sem quaisquer detritos impróprios.

Preciso de um coração maior. Quero um coração novo e dos grandes, cheio de ar e de sorrisos, cheio de uma resignação feliz, sem ódio, sobretudo sem ódio, e sem qualquer chama que se alimente do seu oxigênio. Preciso de ar, sem medo de sopros. Um tipo único de coração inflável, para que na exata hora de abrir o peito - porque sempre chega a hora de se abrir o peito- eu falasse em tom rasgado, cheia de charme: Pode chutar, pisar, esmagar à vontade! E então no fim, triunfante, eu anuncio: Rá! este coração nem de felicidade há de arrebentar.

10.9.11

com tamanha dedicação recorto pedaços do mundo

Sou efetivamente uma anti-heroína,
no entanto obrigo-os a abandonar essa ideia tentando com a minha redenção sem, obviamente, permitir que dela se convençam totalmente.
E por fim, deixo-os com os mesmos sentimentos contraditórios,
entre a comoção e o dedo acusador.
Mas como ninguém se salva, tudo bem.

na infância, e ainda, preferia ser um gato a uma flor. Já lhes contei o quanto gosto de malucos, chocolate, de camiseta branca... e que em círculos são incontáveis as minhas aspirações para R-EVOLUIR. Mas, se em inúmeras ocasiões não são precisas palavras, é também por causa delas que trememos.

**Há nesta exaustiva recolha de informação uma urgência em fixar o mundo, própria de quem ainda reserva para si alguma inocência**






31.8.11

Eat the pie or eat yourself.

 A história de nossos corações remendados
excendendo-se a si próprios
na iminência de um desastre
dar-te-ia de comer os meus fantasmas
ou então não temos outro remédio senão deixarmo-nos devorar sem testemunhas ilícitas. 
  






26.8.11

talvez por soar a algo exótico.

Calculo a distância da minha janela até ao chão da área da piscina do meu prédio. Um prédio de 21 andares, me encontro no décimo andar, calculo que estou a 29 metros da primeira e certeira colisão. Imagino o salto. Terei tempo suficiente para ser elegante, se elegância for alguma vez algo libertador. De olhos fechados, nos primeiros oitenta e cinco centésimos de segundo. Imediatamente depois desse tempo, iria começar a tomada de consciência do ato único e irreversível, do ponto de não retorno, toda a vida passando em flashes. E seria o momento onde começaria o grito - o medo. E no choque com a estrutura de pedras, o corpo nu, quebrado e rasgado, estirado numa estranha forma. A mancha de sangue escuro, por trás, vai aumentando lentamente o seu diâmetro, criando uma moldura visceral ao espectáculo grotesco. O cenário violento e brutal, agora vai tomando distância física e emocional do acontecimento...
 * Mas eu estou aqui em cima, a imaginar toda a trajetória em câmara lenta com um interesse puramente cinematográfico.


O suicídio físico parece drástico, catastrófico, difícil de entender, esquecer, perdoar, é perturbador.
O emocional também, a diferença é que não se vê .


17.8.11

as mortes dão frutos.

vou comprar um vestido simples e descomplicado para ir a Lua.
Como escafandro vou usar um aquário. 
Eu sei que me repito, mas é que sinto uma saudade que é
de esfolar,
irrespirável de colar à pele.
E o corpo explode duas vezes em proporções idênticas as que mastigo
a carne alheia.
Numa fina ironia, umas tantas risadas, e acabou-se, volto para casa. 

The rest is (fucked up) history.

13.8.11



Que a loucura, no fundo, é como tantas outras uma questão de maioria.*

Por princípio, a estupidez não segue regras. Há algum mérito nisso - não é assim tão fácil iludir a lógica. Onde a estupidez contacta com a loucura é nessa anarquia. O que as distingue é a consciência; mas o que as define é o olhar alheio. O problema - ou o encanto - está na dificuldade em traçar uma fronteira definitiva para cada um desses territórios. Há quem seja louco e passe por estúpido, há quem seja estúpido e passe por louco e há quem seja uma coisa ou outra e passe por nada. 

Alguns conceitos não deviam nunca ser conjugados no singular. E isso devia ser uma regra.


* Mário de Sá-Carneiro.

10.8.11

a julgar pela capa.

a obsce(sa)nidade saiu para arejar um bocadinho. 
Assim como o big bang, ela me causa vertigens, com suas explosões e o buraco negro, que parece engolir-me para que tudo renasça em uma perfeita simbiose temporal. 
Fugira em caráter de urgência. E mesmo com a correria, em delicadeza me deixou um bilhetinho colado ao espelho- como boa menina - que dizia assim:

'outro espaço, outra exigência'

passou uma semana. e mais um dia. passou? passou.


2.8.11

'E nada será teu senão um ir até onde não há onde'


Alguns olhares depois, 
e a boca já estava escaldada.
O solo fértil tecia pequenas delicadezas
de encontro imaginário.
Fundiam-se toda vez como pólen, abelha, zangão e baixarias
Se tinha lua, Se fazia dia
e a boca já escaldada pedia:
- (re)torna fantasia.
Na selva de pensamentos; Um tufão, um broto, um rio, lama, chuva, areia movediça.
E se me permitem todo esse palavreado colorido descascado- na natureza nada se cria.







22.7.11

i spoke high when i spoke love

quis vê-lo uma vez mais. uma última vez. outra última vez. e mais uma última vez. sendo necessária uma última última vez para que talvez a última vez em vê-lo não bastasse ser a última... diz quem a viu sair de lá, que vinha a sorrir.

18.7.11

para trás do hoje

amigos para sempre
continuo te amando
a flor é semente

para trás do hoje
a intenção
não usei da razão
um sonho
para trás do hoje
o hoje possível
o início da gente
para trás do hoje para frente

14.7.11

Quanto às pessoas,

não tenho coragem de observá-las de perto. Pressão, ruas e multidões. Boa acústica para dar risadas.

Tenho uma idéia: o meu mundo, compartilhado

a desmaranhar.

11.7.11



Debruçado na parede pintada de digitais femininas, você quer saber, quer saber insistentemente, se ela quer te fazer sofrer
só para te ver sentir.
- Inteiro demais.
os olhos dela pediram verbalmente
- Morde o que não sei o nome.
foi o que ela disse enquanto sentia seus pulsos envolvendo os quadris.
E se a cidade é cinza,
ela vai pro mundo.
- Vamos desconhecer um ao outro.
até.

5.7.11

(..)essa é a história da minha neurose incendiária,
estando em chamas, incendeio os outros(...)



Por favor,
todos sentados
respiração suspensa

Como eu sempre desejei
sentir a vida em cada célula.

Essa textura irreal
Por vezes
trouxe-me um efeito hilariante
Contudo,
sem nenhuma espécie de controle
embebi-me de humor
numa acústica perfeita para as risadas.

A vida é um jogo de dardos, um teatro sem ensaio
e antes mesmo da cortina subir
Vi meus desejos saciados,
minhas necessidades adivinhadas

 Minha imaginação está livre
Sou eu mesma.

E mais uma vez,
Por favor,
todos sentados
Respiração suspensa.

27.6.11

- ups!
e quase se foi mais uma borboleta que saracoteava em seu estômago.

Luiza coleciona esse tipo de borboletas.  Mesmo sabendo que a fantasia dura o momento exato de um intervalo – até que apareça novo entretenimento.
 Ela as mantém a pouca distância de um dedo na boca, afim de sentir o gostinho de cada uma em sua saliva. Por isso, volta e meia acontecia essa pequena tragédia de uma partir em liberdade voada. Luiza gosta demais de cada uma delas, alimenta-as de fantasias nos seus mais súbitos momentos de levar o gatilho à boca. Mas o que ninguem imagina é que dentre todas, Luiza tem uma preferida, que com sorte, continuará por dentro, um passo atrás da novidade.

17.6.11

algumas náuseas depois,

pois-se a desiludir o passado que pretendia retornar presente naquele dia. A primeira cena baseava-se em animais comendo, sentimento nascendo...Tudo nu e cru em pedaços. Pedaços mal passados, pedaços daquela história que eram ruminados aos brindes. E mesmo possuíndo nada mais do que alguns segredos e um simples desejo, ele revirava-me do princípio. E minha boca beijava e mastigava meus sentimentos numa ressaca imortal de tudo o que eu vivera até ali. Era crucial, sabe, lembrar com alegria e tornar tudo abstrato como havia sido no início, e o que conseguimos decerto, foi aumentar nossa lista de pecados.
todos meus pequenos anseios podem sobreviver. todos esses amores podem morrer um dia - e eu quase me esqueci disso.

14.6.11

ininterruptamente
nada sai da minha mente
queria lançar na sua parede
meu lanche da tarde
minhas idéias noturnas
o chá verde diário
porque raios nada sai da embalagem?
nada sai da embalagem
nada sai.

viu?

...e os sussurros do cigarro caem densos e vagarosos, unidos à garoa e ao tempo do inverno que assopra o vento.

11.6.11

rabiscado em 26/04/2010

e continuo eu escrevendo essa história. Pulando linhas, errando palavras, esquecendo títulos. Muitas para deixar registrado, outras para reler, algumas tantas para preencher vazios de certa maneira e deixar tangível a minha existência. E principalmente para poder amassar o papel e jogar no lixo, quando eu bem entender.

2.6.11

'Não sabia separar a alma do corpo. Se me despir, fico com o meu coração a nú :
A mulher tem fome e quer comer; sede, e quer beber.
Está com o cio e quer ser fornicada.
O grande mérito!
A mulher é natural, isto é, abominável.'
Baudelaire




Tenho direito a traduções de má escritora que sou.
e de tão sérias que são, não poderiam ser ditas, nem pensadas, nem sonhadas..
Confesso-as.
Precipito-as.
Precipício-as
Numa forma de oração ao meu imenso catálogo de visões des-torcidas sobre aquilo que já vem-me pronto.
e sempre, acho que me perdi
mais ou menos, por alí
onde os gatos não são proibidos.