Solidão é pretensão de quem fica
escondido
Fazendo fita

26.9.14

Vida interior

Se eu não estivesse tão feliz, talvez não perceberia que já são quase duas da matina, não teria cozido a batata doce pro almoço de amanhã, nem posto o lixo na lixeira do prédio para que as baratas pudessem revirá-los em mais uma de suas refeições, enquanto na sala, a meia-luz, queima o penúltimo incenso de baunilha que cismo em me viciar. Se eu não estivesse tão feliz, talvez eu não deixaria a tv ligada em um canal que não dou a mínima atenção pelo simples fato de ser um canal de tv, não teria mexido nos livros que andam empoeirados em minha prateleira orgulhosa por ter bons exemplares, não teria escorregado para dentro das minhas profundezas eternas procurando um cantinho onde eu possa me encontrar. Se eu não estivesse tão feliz, talvez eu não teria deixado na mesa da sala o caderno do meu filho aberto na página exata do seu dever de casa para que ele possa fazer ao acordar pela manha, não iria visitar esse blog largado às traças por conta deste movimento contínuo que é a vida urbana que clama em nos deixar a mercê da superficialidade, talvez eu não teria esse sono que chega vagarosamente enquanto deixo esfriar um pouco mais meu chá de camomila, e não teria percebido o quanto o universo tenciona em um movimento circular por tudo aquilo que clamamos.


A felicidade não compensa querida, vista seu pijama do avesso e espere que a chuva venha.


é mais gostoso assim.















Um comentário:

  1. se eu não tivesse tão feliz... não estaria aqui no seu blog... agora estou mais feliz, bem mais feliz!

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