Solidão é pretensão de quem fica
escondido
Fazendo fita

29.4.10

Complexo de perséfone
ou como ter a mania de que se pode ir ao inferno e voltar. Brincando com os limites do corpo, só há consciência da queda aos que se levantam.


não é pra qualquer um.

A volta do meu parafuso

Andei pensando.
 Pensando leve pra não pesar nas costas. Pensando rápido pra alcançar resposta. Pensando azul e amarelo pra vislumbrar verde. Pensando breve pra encurtar tempo. Pensando avesso pra enxergar alma. Pensando oculto pra revelar desejos. Pensando sempre pra alimentar a cuca. Pensando alto pra tocar as nuvens. Pensando claro pra desafiar o escuro. Pensando quente pra mexer com os decentes. Pensando em frente sem olhar pra atrás. Pensando aberto pra caber no mundo. Pensando certo pra caber nos braços.
Pensando bem, eu andei pensando muito. E lá no fundo...
Pensamento longe em você.
Sei que ela terminou, o que eu não comecei. E o que ela descobriu, eu aprendi tambem eu sei.

Ela falou: - Você tem medo.
Aí eu disse: - Quem tem medo é você!

Falamos o que não devia nunca ser dito por ninguem.

Ela me disse: - Eu não sei mas o que sinto por você. Vamos dar um tempo. Um dia a gente se vê.
E eu dizia: - Ainda é cedo.

28.4.10

cabeça, coração... e as pessoas ainda separam o que se passa por dentro.
Ra cio na da

e quase ela falou tudo aquilo que queria
e quase ela mostrou tudo aquilo que queria
e quase ela gritou tudo aquilo que queria
e quase ela fez tudo aquilo que queria
.
.
.

e tudo muito sempre quando ela devia.

autossabotagem

Nunca negou a vontade de ter seu coração entre os dentes.
Não havia mais sentido no simples senti-lo bater sem compasso ao encostar as mãos no peito. A certeza do desconhecido inebriava a sua mente. Não era necessário sangue, nem anestesia, nem zêlo. Determinada, parecia saber o que estava fazendo. Queria senti-lo na boca,  pulsando como se fosse engolir todo aquele sentimento que guardava há tempos. No entanto era fato que sua expectativa cirúrgica sucumbia  a seus desejos viscerais. E sem avisar, não havia mais como escapar. Seu último pedido: Apronte-se para o procedimento.
E foi ali, em consentimento, a sacanagem mais cruel de sua vida.



.. só pra exercitar.
(do peito para os dedos)

mesmo que não alcance o mundo.

excesso

gestos mínimos. só pele. perdi a exatidão das palavras.... que o mundo não vá desencontrar-se com a minha respiração.





 **conclusão noturna: prefiro lua a sílaba. 

26.4.10

Poesia sem rima. Porque a vida sem sentido e sem encaixe faz um bem danado a minha loucura métrica nada brega.


e continuo eu escrevendo essa história. Pulando linhas, errando palavras, esquecendo títulos. Muitas para deixar registrado, outras para reler, algumas tantas para preencher vazios de certa maneira e deixar tangível a minha existência. E principalmente para poder amassar o papel e jogar no lixo, quando eu bem entender.


E começar, quem sabe, tudo outra vez. Diferente.
...

T: será que vc me entende?
T: enfim...
M: entendo.
T: otimo
T: evoluimos
M: sim..
 
...

e sigo pontuada por esses batimentos cardíacos.

Diga-se de passagem,

a melhor parte ficou naquele taxi. Entre os 80' e 90'.

25.4.10

verbal

O que me chamou atenção foi a cervical.
E fiquei ali, contando quantas mordidas dariam para percorrê-la inteira. Minha língua inquieta, travava uma guerra com o céu da boca ao sentir sua presença. E era com telepatia, pura telepatia que meu corpo alcançava o corpo dele. Aprendi a usar na primeira distância experimentada.
Talvez eu nunca mais cruze com  ele. Talvez eu case com ele. Talvez o mundo acabe antes. Nos conhecemos há mil anos, apesar de terem se passado apenas quatro meses. E daqui a pouco mais um pouco...Talvez;
meu coração volte a disparar sob o dele.

23.4.10

por partes

Tem uma parte,
uma parte em mim
que parte
e não conta.
Que eu não conto,
em parte.
E a partir de hoje, de ontem,  de tarde essa parte é..
Porque você sabe
algumas partidas
são assim,
para esconder
de certa maneira, a parte que nos cabe.
E quem sabe partir,
enfim
para os raios que os partam

Os pedaços de 'nós'.

22.4.10

na impossibilidade da onipresença

 eu queria ser um corpo a ocupar todos os lugares - e ter só um onde pousar a cabeça. por isso muitas vezes me ausento, e ninguém sabe de mim. é como se eu não estivesse aqui.

E desculpem-me, mas ando à procura da vida.

21.4.10

e o que eu faço com você é arte.


Pura.
 ...

- culpa da bebida?
 - nada, da vida.
Sem Princípios.
Entende o que eu digo?

Bebível
Tragável
Crua
a noite toda goela abaixo,
em lampejos viscerais.
Fartas mãos de posse
Ao norte
Ao centro
Fortes
eu as pressentia
famigeradas
por dentro.
Enxames, Infâmes
vítimas sanguinárias do próprio pulso.

Rasga.

Entende o que eu digo?

á garfadas imediatas.

E que me arraste ao terceiro andar
em peso de alma
Enquanto pedaços
meus
ainda se perdem nos degraus.



**




Entende?

20.4.10

Aos nossos filhos

Perdoem a cara amarrada,

Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...

Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...

Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...

E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...

E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...

Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...


Digam o gosto pra mim...

Elis Regina

19.4.10

zoom

ando pulverizando idéias por todos os poros.
parece exagero, mas é um estado fâmulo, em que o toque é alicerce primordial na função.
suaves, complexas e conectas surgem em atropelos. fazendo meu corpo cobaia, pedaço de carne intrínseco no apogeu dessas partículas. belo artifício encontrado na válvula de escape chamada Prazer. 

Dessa toca Felina,

 faço jus a Minha Magia. Natureza em Punho. Felina Feminina sou Menina, e Falo Mudo quando Frágil, mas sei me Defender.
deixa eu respirar um pouco
antes que eu me esqueça
para que servem
os pulmões
O amor desorganiza


18.4.10

Fechei a porta e joguei fora as ilusões.

 Mas ainda tenho no coração as marcas das suas mãos. E morro de saudades. Não de amor, mas de um contexto, de uma situação, do momento mágico que te conheci e que você ainda estava por perto. Saudade de sentir meu coração vibrando daquele jeito.
E é por aqui que traduzo essa realidade escolhida pelo destino. Tradução fiel para quem não sabe ler absolutamente nada em meus olhos.

*Lua crescente, temperatura agradabilíssima, ciclo hormonal estável me deixou, por horas, sentir o mundo perfeito e as pessoas felizes-  nessa noite que passou. Tudo passa.

16.4.10

A vontade
é você
à vontade

alguns silêncios..

'Tudo mal explicado, médio-resolvido.
Ele pára na porta e permanece ali, me olhando. Eu disfarço, dou uma piscadinha acompanhada de um sorriso, e continuamos assim.
Segundos que parecem horas. Mais sorrisos de canto.

- O que foi? – ele me pergunta.

Eu emudeço: porra, você é lindo, seu sorriso me enlouquece, seu abraço é um dos melhores do mundo, seu perfume é o meu preferido e morro de vontade de ficar enroscando meus dedos em seu cabelo pra sempre.

- Nada não, respondo.'

.
Eu, que colecionava toques, me apaixonei pelo curto vento que ele fez

quando passou apressado.
E se existem culpados são eles:

Marte em sextil com a minha vênus e meu mercúrio natal todos na casa 1.




*ok, eu gosto desse transito.
Estou precisando me descomportar.

A porta

estava entreaberta. Entrei.
Nada de novo. Tudo no mesmo lugar de ordem. As mesmas cortinas, a mesma mesa, o mesmo quadro. Parte daquela velha conhecida composição que preenchia, que habitava sem ao menos inspirar uma ideologia. Segurança, essa era a palavra escrita seguida de Lar na placa de madeira (comprada em alguma feira de artesanato) que enfeitava a parede próxima a estante. É, pareciam sentir. Ou ao menos, tentavam sentir-se seguros mantendo aqueles cansados livros, enfileirados por tópicos, na prateleira já empenada da tal estante histérica por cuidados. Porém, nada vibrava por ali em aconchego. Não havia calor, não havia aquela magia que faz-te sentir em casa, contando segredos noturnos as paredes confidentes. Tomando chá e comendo seus favoritos biscoitos de leite.
Caminhei.
Caminhei até chegar ao centro. Supostamente o coração deveria ser latente ali...
E, perto da televisão infeliz em seu estado de coma aparente, diante do vazio humano que perpetuava na sala, sem o falatório da platéia. Que me dei conta de que a porta entreaberta era proposital. Um chamado, um convite, um pedido silencioso, religioso ao dinamismo criativo que ronda meu consciente pleno. O exercício ativo na arte de brilhar.

 Um grito mudo de socorro vinha daquelas opacas paredes. E eu estava pronta a transformá-las.

14.4.10

em mãos

E mais uma vez,
meus olhos
entregam minha língua metafórica.

E toda aquela desconstrução calculada
em esfinges enigmáticas
vai por alma adentro
Corpo afora.

Pleonasmos
na tradução perfeita
da minha euforia,
em encontrar ressonância
na lição mais bela cotidiana:
- o coração.


-


ele não deve crer. mas ainda o espero voltar.

12.4.10

Sou reticências, exclamação e interrogação. Tudo junto. Para os mais corajosos.
 E então na minha orelha você leria: Menina que sabe que existe. Mas faz de conta que não, porque é um livro de faz de contas.
E como sempre, deixaria uma pulga atrás da orelha de quem lê. Não sou auto ajuda, pois quem pensa ter todas as respostas vive preso a elas.
E pertencer, só se for á cabeceira de alguem especial.

pausa para fugir do tema




E a culpa é dessa intensidade que me torna perfeccionista demais para ser paciente. 

A mesma

'Antes que você me diga que enforquei nosso amor com as palavras erradas,
preciso salientar o quanto esperei para que você viesse desenroscar a corda de aço
 com que enlaçou meu coração. Baby, já estou roxa como você queria. E agora?'

-

e ainda sinto meu estômago quente.
determinadas cores não se discute.

Pra onde vai você? .. Amanhã!? Vou junto! Tambem quero pular...

-


Não querer nada de diferente do que é. Nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade. Não só suportar o que é necessário, mas amá-lo.

 Nietzsche.
E de mim em mim. Eu sou gente pra carne e coração.





E esse meu eixo que não me deixa quieta, é senão uma coisa só, que parte de uma ponta a outra. Sem pressa ou demora na travessia.




E de tempos em tempos, como quem não tem tempo a perder, me associo a tinta usada na minha história. Para que não me perca por completo. Nesse lance de enxergar de longe o que de perto desfoca.


Existe amor até mesmo na ausência. Sentes?

10.4.10

Ainda estranhava ele não dizer Até logo, amor...
(..)Há um mundo de coisas tortas sem culpa e outras de quintais limpos com cheiro
de mentiras deslavadas.
Eu fico com as caras sujas e reais da avenida.
Querido 'Tom' era um lobo de coração mole(.)

sintomático

Entre imperfeições honestas e belezas hipócritas.
É, eu descobri o amor que me faz perder o ar. Sintomas típicos: perde-se a cabeça, a boca, as pernas e o resto. E é um tal de maça cortada, de semente, de fruto proibido na mente. Tudo espalhado na mesa entre talheres, eu e café quente. Era o que eu tinha para oferecer naquele momento irremediável. Deixar sentir. Faço isso sempre. Uns chamam de inconsequência. Mas por algum motivo eu repetia a tal das coisas de todas as formas. Eu gosto desse estado de sons que cruzam nosso caminho sem pedir licença. Eu gosto dessa liberdade poética de não ser compreendida, de me atirar de umbigo no meio da avenida, de cores que invento e que se transformam em potentes versos curtos.
E nessas horas inebriantes, desarmada é que vou além do que se vê. Sem vaidade para dividir com o mundo real.

7.4.10

(...)Mulheres apaixonadas criam muitas expectativas.







Acho que não posso abrir mão de mim. Não com ele. Não hoje, que vivo o sonho de hibernar socialmente para não morrer nestes tempos líquidos(.)

TPM

coisa nossa.

Indefinidamente

estou aqui firme mantendo meus ideais e desejos. Assumindo a direção do meu destino, nesse julgamento constante em que a vida posiciona.
Transito bem no correto e incorreto (dado um tanto peculiar), o que é revelador. Visto que, invisto no algo mais que me traduz diferente no meio dessa manada de gente..
Se corro riscos? Sim! 
Com direito a atitudes de grande porte e algumas boas doses do charme da irresponsabilidade.





Pois é, ando em extinção.
'Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.'


- Li por aí -

6.4.10

bom,

e também aqui é tão evidente como perturbadora a presença de uma aguda sensibilidade feminina. **


-






A causa (ouquemsabe a consequência): o cheiro de um corpo. De um único corpo no mundo inteiro.






-
e dentro de ti.
 procura-me,
 encontra-me.
 agora não.
 agora fugi.

ar-te

e como Picasso dizia: eu não procuro. eu encontro.

3 fragmentos de uma noite voltada a marte

fratura do abraço
clímax desconcertante
verdades rubras


E hoje estive no outro lado da lua.
Things fall down. People Look up. And when it rains, it pours.


aquele a quem o mundo
dói
em cada terminação
do coração

4.4.10

lições

Nada programado.
Meu amor de dias, meu carinho de horas, minha vontade nesses minutos. E todos esperando alguma coisa acontecer, me perguntando tolamente até quando vou manter meus cabelos arrumados.. Talvez eu saiba, talvez ele saiba. Continuidade é meu melhor momento de dizer agora. Ok. É verdade, eu sei. Estou falando menos. Quero guardar essa múltipla vontade que tenho do único. Então me deixa ser.

E talvez, ele saiba.
-

O que acontece entre co(r)pos, limão e sal permanece entre co(r)pos, limão e sal.

-

1.4.10