Solidão é pretensão de quem fica
escondido
Fazendo fita

22.7.11

i spoke high when i spoke love

quis vê-lo uma vez mais. uma última vez. outra última vez. e mais uma última vez. sendo necessária uma última última vez para que talvez a última vez em vê-lo não bastasse ser a última... diz quem a viu sair de lá, que vinha a sorrir.

18.7.11

para trás do hoje

amigos para sempre
continuo te amando
a flor é semente

para trás do hoje
a intenção
não usei da razão
um sonho
para trás do hoje
o hoje possível
o início da gente
para trás do hoje para frente

14.7.11

Quanto às pessoas,

não tenho coragem de observá-las de perto. Pressão, ruas e multidões. Boa acústica para dar risadas.

Tenho uma idéia: o meu mundo, compartilhado

a desmaranhar.

11.7.11



Debruçado na parede pintada de digitais femininas, você quer saber, quer saber insistentemente, se ela quer te fazer sofrer
só para te ver sentir.
- Inteiro demais.
os olhos dela pediram verbalmente
- Morde o que não sei o nome.
foi o que ela disse enquanto sentia seus pulsos envolvendo os quadris.
E se a cidade é cinza,
ela vai pro mundo.
- Vamos desconhecer um ao outro.
até.

5.7.11

(..)essa é a história da minha neurose incendiária,
estando em chamas, incendeio os outros(...)



Por favor,
todos sentados
respiração suspensa

Como eu sempre desejei
sentir a vida em cada célula.

Essa textura irreal
Por vezes
trouxe-me um efeito hilariante
Contudo,
sem nenhuma espécie de controle
embebi-me de humor
numa acústica perfeita para as risadas.

A vida é um jogo de dardos, um teatro sem ensaio
e antes mesmo da cortina subir
Vi meus desejos saciados,
minhas necessidades adivinhadas

 Minha imaginação está livre
Sou eu mesma.

E mais uma vez,
Por favor,
todos sentados
Respiração suspensa.

27.6.11

- ups!
e quase se foi mais uma borboleta que saracoteava em seu estômago.

Luiza coleciona esse tipo de borboletas.  Mesmo sabendo que a fantasia dura o momento exato de um intervalo – até que apareça novo entretenimento.
 Ela as mantém a pouca distância de um dedo na boca, afim de sentir o gostinho de cada uma em sua saliva. Por isso, volta e meia acontecia essa pequena tragédia de uma partir em liberdade voada. Luiza gosta demais de cada uma delas, alimenta-as de fantasias nos seus mais súbitos momentos de levar o gatilho à boca. Mas o que ninguem imagina é que dentre todas, Luiza tem uma preferida, que com sorte, continuará por dentro, um passo atrás da novidade.

17.6.11

algumas náuseas depois,

pois-se a desiludir o passado que pretendia retornar presente naquele dia. A primeira cena baseava-se em animais comendo, sentimento nascendo...Tudo nu e cru em pedaços. Pedaços mal passados, pedaços daquela história que eram ruminados aos brindes. E mesmo possuíndo nada mais do que alguns segredos e um simples desejo, ele revirava-me do princípio. E minha boca beijava e mastigava meus sentimentos numa ressaca imortal de tudo o que eu vivera até ali. Era crucial, sabe, lembrar com alegria e tornar tudo abstrato como havia sido no início, e o que conseguimos decerto, foi aumentar nossa lista de pecados.
todos meus pequenos anseios podem sobreviver. todos esses amores podem morrer um dia - e eu quase me esqueci disso.

14.6.11

ininterruptamente
nada sai da minha mente
queria lançar na sua parede
meu lanche da tarde
minhas idéias noturnas
o chá verde diário
porque raios nada sai da embalagem?
nada sai da embalagem
nada sai.

viu?

...e os sussurros do cigarro caem densos e vagarosos, unidos à garoa e ao tempo do inverno que assopra o vento.

11.6.11

rabiscado em 26/04/2010

e continuo eu escrevendo essa história. Pulando linhas, errando palavras, esquecendo títulos. Muitas para deixar registrado, outras para reler, algumas tantas para preencher vazios de certa maneira e deixar tangível a minha existência. E principalmente para poder amassar o papel e jogar no lixo, quando eu bem entender.

2.6.11

'Não sabia separar a alma do corpo. Se me despir, fico com o meu coração a nú :
A mulher tem fome e quer comer; sede, e quer beber.
Está com o cio e quer ser fornicada.
O grande mérito!
A mulher é natural, isto é, abominável.'
Baudelaire




Tenho direito a traduções de má escritora que sou.
e de tão sérias que são, não poderiam ser ditas, nem pensadas, nem sonhadas..
Confesso-as.
Precipito-as.
Precipício-as
Numa forma de oração ao meu imenso catálogo de visões des-torcidas sobre aquilo que já vem-me pronto.
e sempre, acho que me perdi
mais ou menos, por alí
onde os gatos não são proibidos.



29.5.11

no meu arquivo zombie, se Kubrick filmasse a versão feminina do Laranja Mecânica, a protagonista poderia ser... bom, deixou há muito de ser um poema... e já é um livro não escrito imenso e mais profundo e além de toda... no fundo, qualquer coisa é pretexto para se abrir o peito ao mundo... admite o gozo de voltar atrás e se... entretanto, tanto você pode negar.. e o tempo, muito tempo, pode não medir... Percebes que isso é um beijo?


25.5.11

Primeiro, um mergulho de emergência.

e quando tudo volta a mais perfeita ordem
de súbito tudo torna à seu lugar de origem
não era de se assustar que [obs]cena seria seu trajeto sobre a normalidade aparente e pedante daquilo que ao final havia se perdido.
- converter-se a própria pele sem se habituar às histórias.
 Era a-moral da tal narrativa.


e ela gosta de histórias sem moral mesmo.
diga que compreende, mas pode ser que ela não ligue,
 vírgula é a palavra mais bonita por aqui hoje.

14.5.11

suas pernas tremeram
e sua ansiedade foi tamanha
que disse 'obrigada!' à máquina de café.

Eles,

eram mais dois perdidos no mundo.
ela gostava de barba. bom, ele gostava que ela gostava de barba. eles não se conheciam. assim como aquele casal vizinho, que está junto à vinte anos.

- opa!
- opa! as vezes dou uma pinta por aqui.
- hum sim! eu tô sempre
- escolhas. rs. me conta tudo.
- não é a melhor coisa do mundo ficar aqui. é uma escolha..  e pode ser a única, pelo menos agora.
- é verdade.. e pode ser a melhor coisa aqui, ficar no mundo agora...escolha... ah, se eu fosse homem teria uma barba como a sua.
- jura? é boa?
- é boa...., de boa, na boa.
- que bom, tá bom, pois bem.
- gosto disso. músico?
- musico ator, ator musico..não sei
- nem precisa, a gente acaba sendo um bocado de coisa.
- verdade. mas deixo por conta de quem acompanha, sabe..nao sei definir algumas coisas pra nao limita-las, entende?
- entendo. tenho problemas com rótulos tb, até gosto quando vem com uma garrafa de vidro verde %¨&*e tal....desculpa, meu teclado.
- magina.
- magino, tudo e muito. rs
- hahaha vc é boa.. muito boa! na boa.
- na boa, sou é gostosa mesmo. hahaha
- é, isso eu preciso dizer ou digitar por enquanto né...na boa.
- é..a proximidade aqui é inversa.
- nos afasta tanto que sentimos juntos, é bom e ruim.. sei lá
- sim, como a vida... sabia que quando te vi pensei: Olha, planetas vizinhos!
- é energia? das boas, eu sei!
- mágico!
- eu gosto!
- eu tb gosto...gosto de muita coisa!
- eu sabia que vc era boa!.. e eu gosto.
- gostosa! aff..
- bastante, vc até escreve como gostosa!
- adorei o elogio! hahaha
- não é.. e vou te contar, eu to conversando contigo vendo suas fotos não é doido*
- doido é bom, assim de barba.
- já prometo que vou praí de barba.

... e foram felizes para todo um frame.

9.5.11

pensou melhor. depois sorriu quando lhe disseram que a vida era um livro escrito especialmente para ela. bom, mais trinta e dois passos para o lado errado, um narrador cansado, uns poucos leitores entediados e um chocolate ali. à mão. [eles tinham razão]

amor à primeira ervilha (o mundo é uma ervilha?)

na esquina do mundo
menos 27 suspiros profundos
e o abraço fora inventado com 4 braços
não sei de você
mas não devo mais nada agora. só a mim, a vida que mereço
e devolva-me os braços que ficaram agarrados em suas costas
naquele 'para sempre'.
virando a página
Fim
da primeira parte.

7.5.11

e quando eu te encontrar de novo
vou fingir que respiro.

Quer brincar comigo?

'desabotoa o peito devagar. um a um, os botões, a pele, o osso que se descobre transparente, transpirado, transponível. desabotoa devagar o peito e escuta. chove todos os dias ali.'

Agora,
vamos trocar de pele?
Pegue. Pára. Sentes?
escuta teu peito a pulsar o meu.
Então, essa sou eu.

2.5.11

Talvez um dia eu seja completamente zen, daí eu mude para Meninas são Songas e Mongas.

[pra ilustrar]


1.5.11

We might die from medication but we sure killed all the pain.


Ingenuidade se ver livre do buraco no peito
buraco, fosso, cratera
Denso.
Mas há remédio que alivia a dor
Vicia.
O paliativo amor do outro.
Respira... pronto tudo normal outra vez.



27.4.11

do pão para a boca:


«só uma raça que possui um tempo de vida breve pode sentir a ilusão de que o amor é eterno.»


somos feitos de bugigangas e casamentos.

Nesse exato momento sou alguns incensos, dois ovos e 1/2 de páscoa semi-abertos, uma garrafa de vodka, 33 livros à mão, uma notinha de supermercado rasgada, fotos no frigobar, a faísca de um isqueiro bic, uma gaveta cheia de rebeldia, um anel de pedra turqueza e algumas idéias no pensamento... Mas meus casamentos foram os que me fizeram chegar no que sou. Me lembro do meu primeiro casamento, de comum acordo, com o Pão molhado no leite, durou anos matinais. Lembro do seu cheiro acalentador e de ele estar simplesmente ali, ao acordar, nos meus mínimos níveis de suporte de vida.
 E desde então me vi casando e descasando inúmeras vezes. Porque a gente casa, né mesmo? Casa com o vizinho, com a cerca do vizinho, com o elevador do prédio, algumas vezes com a escada. Casa com aquele vestido lindo, com o carro dos sonhos, a casa. Arranja casamento na cantina do colégio, na academia, com a fatia daquele quiche do natural da esquina. Casa com a praia, com o trabalho, com os planos de viagem. Casa com os filhos, com os amigos, com os amigos dos filhos, com aquele livro. Já me peguei de casamento marcado com botas, com lençois de 800 fios, com a bolsa da hora. E juntei os trapos sem cerimônia com cachorros, seriados, novelas, miniséries e com aquele gato que virou sapo.
 No meu currículo matrimonial, a faculdade deixou saudade, alguns discos foram muito amados, aquele anel do Antonio Bernardo, e o cheirinho do colo da minha mãe ficou marcado. Ideais anulados, padrões quebrados, já fui casada até com uma árvore de abacate (abacateiro?).
Meus casamentos sempre foram pomposos, uns relâmpagos outros notórios. Me lembro de ser par de agenda que dizia tudo o que eu não dizia e de uns certos brincos, que quando eu os colocava, me sentia. Fui casada com algumas certezas, muitas histórias, um jeans que vestia como uma luva, portas, janelas, sonhos, pai, mãe, irmãos e sogra. Casei com certos problemas, algumas dúvidas, com poucas mentiras, bons vinhos, a Barbecue Pringles.......
 Hoje, sigo casada com a chuva do lado de fora.

19.4.11

Receita para se livrar da auto-ajuda


Poderia dizer bem baixinho que acho qualquer tipo de leitura de auto-ajuda um coice. Mas eu não sei falar baixinho, ou melhor, só o falo quando o acordo é ortográfico. Bom, e sei tambem que se eu não tomar um certo cuidado com o que vou escrever, posso cair no lugar-comum, numa quase receita da Ana Maria Braga. Mas desta vez, que se dane! Volto ao velho e bom texto de carnes humanas cortadas em fatias para que possamos melhor entende-las. Porque é lá onde se dá o encontro fatal, onde se é possível penetrar no lacro instante em que as cópias se fazem e se multiplicam, ou seria se dividem? (suspiro) Tomo um gole de café e digo mais uma vez, quer dizer, desta vez eu só penso 'Danem-se os objetivos!'. Agora que já comecei a falar, então vou falar do jeito que der. Sem aquela ladainha xarope de poesia de 5o categoria. Porque encontrar prazer na imbecilidade da auto-ajuda....aff. Eu sei, que lembra aqueles textos que te aplicaram de metafísica, quando você ainda tentava encontrar um sentido em 'Quem somos nós'. Mas amorzinho, enquanto você vive enclausurado no silêncio destes livros, que levam uma profusão de sentimentos a lugar nenhum. Eu sigo no prazer de sentir meus medos funcionarem desarticulados, sem soluções padrão aparente.
Então, você, com algum esforço, chega no segundo parágrafo do último capítulo, ávido para seguir a história...   quando meto um tiro no meu coração.




.

14.4.11

e escreveu um monte de bobagens
naquele papel reciclado, que era uma bobagem tentar escrever
e deixou em cima daquela mesa que foi uma bobagem a gente comprar
e pensei na tamanha bobagem que tinha sido aquela relação
na bobagem do tempo perdido
na bobagem que foi me apaixonar
e logo em seguida, naquela minha boba choradeira,
lembrei feito uma boba do dia em que nos conhecemos
do bobo olhar dele, e do meu bobo aceno
até que percebi quanta bobeira nós demos
em tão pequenas e bobas situações
nossos bobos sonhos estavam caindo na bobagem do momento
bobear com o coração é um tormento
e lá estava eu, mais boba do que nunca..
repensando nas bobagens que a gente faz nessa vida
e nas chances que a gente tem de não dar bobeira
mas, se é pra ser boba, que seja de amor, não é o que dizem os bobos poetas?
E foi assim,
 sem bobear nos sentimentos
que desculpei aquele bobo, mais uma vez,
e salvei aquela bobagem que chamam casamento.

olha o aviãozinho!

Arranque as asas, os olhos, os miúdos e os reserve, para que sejam servidos frescos e ainda pulsando como aperitivo. O resto deixe marinar até que esteja pronto para o banho maria. Escalde a carne já sem essência.


Molho Pra Curar:
O famoso A entrega Sem Entrega. -iguaria raríssima (fora de catálogo)
Sirva-se em ponto de bala, antes de passar do ponto. Ou, se o espírito for livre, passe na brasa e à gosto no Salt Ar.
 

6.4.11

naquele instante
porcelana
pequenos cacos
meu
mundo secreto
revisito fragmentos
corte afiado
desígnio certo
- Fragile -
lê o pensamento



Valente.

3.4.11

autor desconhecido

Cartas de amor- vossos confessionários.
o roteiro:
As folhas eu tingí com meu sangue bem diluído, pra parecer papiro... Te mando com uma flor pequenina de cor carmim, de pétalas aveludadas, ela chega quase viva ainda, dentro do envelope. Vai solta no canto direito da primeira página, acho que a machuco menos assim.

Sem selar, passo-a por debaixo da sua porta, toco a campainha e fujo. Que acontece, que nunca cresço?

Você significa minha permissão.
o conteúdo:
"Te permito meu bem.. tudo o que quiser. Te permito não crescer, envaidecer, enlouquecer. Te permito me escrever cartinha de amor, abrir teu relicário de confissões, abre menina.. também me alimento disso. Só não permito que se entregue, nem a mim nem a outro, vez que eu não quero nem mereço. Minha alma não está disponível à sua salvação" .
a recíproca:
-- Nem a minha.

1.4.11

*não entres tão depressa nessa noite escura.
- mas eu vou.
urgência de bom dia ao pé do ouvido.

átomos à parte, eu ainda me encanto.

Toda vez que olho pro céu, é como se eu estivesse olhando para o passado. Do ponto em que me encontro, esses minúsculos brilhantes me remetem aonde tudo teve início. E aquilo que não compreendo, porventura, causa-me uma danada curiosidade. Um vasculhar de idéias e hipóteses experimentadas pela minha poética ciência. E num piscar, o que era fantasia torna-se o condutor da magnífica história de onde viemos, do que somos feitos, pra onde regressaremos.  E toda essa imensidão que me arremata, é tão mágica, tão mágica, que ironicamente percebo que é nas nossas limitações, numa certa forma de ignorância, que reside a nossa capacidade de encantamento.

'as coisas muito claras me noturnam'
Manoel de Barros

28.3.11

tempo de arriscar.


antes de mais nada fui me apresentar,
 ele me chamara atenção, segurando aquele instrumento com tamanha precisão:
- Não, eu não sou daqui moço. Sou,
de um lugar onde ainda
se vê o céu escurecer sem pressa, sem planos, sem gasolina no tanque.
É um lugar assim, meio devagar, onde a sensação de vida vai subindo pelas pernas, deixando arrepios em seus calcanhares.. um lugar que inadiavelmente, ainda  sobra tempo para enxergar para dentro.
E eu gostaria de te ver tirando notas musicais daqui.

26.3.11


aquilo que a gente deseja
torna-se morno
ao prosseguir.
Fadados ao morno, eu diria,
não temos como fugir.
Seguir novo desejo a cada esquina
pode ser hábito, fuga, palavrão,
 Sina.