teve um dia imPECÁVEL para além de todos os vocábulos. De poderes especiais ao peito, de jornada contínua, passou mais um dia imPECÁVEL. Usufruiu do tempo oblíquo, tecendo longos pensamentos, cumprindo metade e substituindo o restante. O que sobrou, fez prática no que a alma pedia e o corpo acusava.
imPECAVELMENTE, como tudo caminhava, pôs-se a agir em um plano de hu.ma.ni.za.ção. Em certo momento, visto que, essa ação seria sem retorno ou fim, deu um grito de valor incomparável a condição humana:
- Amanhã serás de papel !
E hoje, do alto de sua imPECÁVEL mente, parte do tempo investido virou passado e segue escrita.
Tudo peca, tudo passa. E um dia serei florista. Distinta e singular, poderás vir em sonho me visitar.
17.1.12
pelas gargalhadas, lanches noturnos e flores
12.1.12
Desfibrilador
livrai-me da morte
que por sorte
ainda sinto
a dor do
amor
Choque essa legião adormecida
despedaçada, apodrecida
Choque essa legião adormecida
despedaçada, apodrecida
com minha pulsação lenta e esperançada
- Já tinha morrido há dois dias e só ontem soube, quando sentiu nos seus olhos o pesar.
- Já tinha morrido há dois dias e só ontem soube, quando sentiu nos seus olhos o pesar.
Nada de flores em minha despedida
nem religião
Declaro enfim
Declaro enfim
que meus batimentos serão os novos mandamentos
seguidos
sentidos
enaltecidos
a tal linha verde limítrofe do meu último virtuosismo cardíaco
que no ensaio do fim
traduzida será
que no ensaio do fim
traduzida será
em cartas anônimas
de amor
de amor
o carteiro, naquele instante derradeiro, se viu responsável por toda humanidade e
o paraíso, no mundo inteiro.
Hoje, todos que aqui habitam,
tem o direito a pelo menos uma carta de amor
por dia.
por dia.
11.1.12
a seu tempo.
nasceu com um pequeno defeito e essas coisas de coração, tudo em segredo.
Ganhou corpo, aprendeu truques da vida e partiu. Só não sabia que seu coração crescia em demasia, mais que o previsto no espaço tempo que lhe cabia. Foi vivendo, já que não tinha outro jeito, com um peso tremendo dentro do peito. Cercou-se de gente, de verdades endurecidas, criou filho, trabalhou sem parar, reuniu memórias e certezas...até encurvar-se, sem saber o que tanto lhe doía no centro. Suas fraquezas, mandava pro vento. Contava a todos seus bem-feitos e sua coragem brutal, trazendo a mão sempre ao toráx. Eis que, já franzina e com idade avançada, descobriu que tinha um coração imenso. Assustada com toda essa ideia de sentimento, da gravidade no momento, na hipótese de não ter aproveitado toda aquela sangria, resolveu adiar tudo o que seu bolso gritava e viver da qualidade de quem lhe queria bem.
Hoje, o coração imenso é seu fio condutor, suas posses, sua densa sabedoria. Ela, ainda leva as mãos ao toráx quando conta suas valentias. Mas agora, tudo é doce.
Que ele pese, leve e preserve.
8.1.12
6.1.12
espero que saibas o que esses verbos significam em mim.
Pelas pernas.Que Dois mil e doze me suba pelas pernas em abraços que nada neguem. E me carreguem, me recarreguem enquanto meus olhos deslizam no calendário por todos os desejos. Quero ver meu coracão afiado bater dentro de você, feito estilete, Dois mil e doze. Segurando-me pelos cabelos, apertando meus defeitos, e sufocando a lembrança viva do meu pensar confuso.É verdade que o tempo parece curto, e que na maioria das vezes eu insisto em manter a venda nos olhos, deve ser medo de revirar todas as canções antigas deixadas numa gaveta qualquer. Arrisco-me ao menos uma vez em tua porta aberta, Dois mil e doze. Bagunce-me. Reavalie-me. Me encosta na parede. Me desconforme. Quero sentir o gosto transformador de me ver arrancada das minhas certezas.Descarada, errante, pequena para os teus sonhos grandes e para as esquinas do seu mundo.
Dois mil e doze, não é tarde. nem falso alarme.
E prometo, deixar-te decifrando nossa futura despedida.
29.12.11
28.12.11
se os corações são de vidro porque não vão os copos morrer por amor?
Alerta: a música parou de tocar tem 8 minutos.
aproveitemos a euforia, sabemos que esses segundos otimistas são demasiados escassos. Já fui destas pessoas que se apaixonam. Dezessete vezes. Por dia.
e quase asfixio neste corpo.
22.12.11
12.12.11
- então, onde você mora?
- a maior parte do tempo na minha cabeça.
- e a sua alma?
- mantenho a que tenho perto da saída, onde tocam meus blues.
...
- Ah, e antes que eu me esqueça, ou você se perca, ainda sonho em morar nas nuvens. e amanhã, quando eu acordar, vou tentar não esquecer de usar o vestido vermelho e comprar uma passagem para onde eu nunca fui e onde já fui tudo. Vem?
- a maior parte do tempo na minha cabeça.
- e a sua alma?
- mantenho a que tenho perto da saída, onde tocam meus blues.
...
- Ah, e antes que eu me esqueça, ou você se perca, ainda sonho em morar nas nuvens. e amanhã, quando eu acordar, vou tentar não esquecer de usar o vestido vermelho e comprar uma passagem para onde eu nunca fui e onde já fui tudo. Vem?
5.12.11
4.12.11
O que é terrível são aquelas solidões que não são aproveitadas e depois as pessoas vão se encontrando sempre na mesma posição. Daí penso naquela sensação de que a pessoa não teve tempo pra ficar sozinha, terrível. Na dúvida nunca pouso os pés no chão. Me entrego as linhas que nos separam e me sinto aliviada, e mesmo que interessam-me muito mais os movimentos humanos do que as paisagens, não me perco rabiscada no caminho. Quando estou sozinha esqueço da feiura do Mundo -- e me pego a pensar em coisas tão bonitas. Quando tenho gente, contemplo a beleza do mundo -- e me pego viva diante de tanta loucura.2 doses de
30.11.11
E no entanto é bela a ideia do tropeço se ajudar a afirmar o passo.
Joguei minha imagem no copo daquele homem de bigode quente
tragando seu último gole de vida
buscando em sua ferida a minha saída
Cansada do espaço apertado que aquela imagem fazia de mim
Torta
Bati a porta na cara deslavada dos transeuntes que nada sabem sobre o que respiro.
Irônico ou não, vivemos diariamente e pro resto das nossas falíveis vidinhas medíocres, em círculos giratórios que nos fazem cair na mesma até que um dia, a gente acorda, e aceita o tal círculo e aprecia as voltas danadas que ele dá.
Enfim, joguei minha imagem no copo daquele homem de bigode quente
tragando seu último gole de vida
buscando em sua ferida
minha entrada
...
...
..
22.11.11
Venha amor sanguinário, me agarre pela cintura enquanto ainda estou de saia. Enquanto ainda pulsa os restos mortais impecáveis daquela noite em que assumi a metade que cabia em seu corpo e que faltava em minha alma. Suba pelas minhas pernas, ataque minhas beiradas com os afagos de quem domina uma nação, enquanto ainda bate em meu peito uma vontade insistente de qualquer coisa que envolva mais alguém.
Venha e supere toda as minhas expectativas mundanas sobre o que ainda aguento no pico do abismo, na minha vertigem, em queda livre, louca e oportuna. Porque se ainda respiro, porque se ainda anseio, porque se ainda quero sentir os vestígios deixados pela sua boca naquele copo de vidro, naquele bar no fim do mundo, perdidos ao som do blues mais triste já ouvido.. Pois venha meu pequeno amor, em cortes profundos, na artéria certa, atinja meu miolo sem medo de rasgar a pele. Seja letal até meu último suspiro.
E que isso custe todo o meu batom.
13.11.11
Bem vindo de volta ao éter.
Se o passado é a transformação de um tempo num lugar, acabaram de inventar no meu peito uma porta aberta. E tudo isso tem um (des)encanto próprio, típico de quem regressa, e carrega suas entranhas anunciadas como jóias. Há os que as carreguem escondidas, como armas, em qualquer parte da vida. E damos de cara, ou a cara a tapa, com um passado que insiste em não se transformar num só lugar. Seria muito cruel da minha parte se eu disser que fico um bocadinho contente por te ter tirado um pouco do ar?
O verdadeiro passado é aquele que não nos limitamos a recordar mas a percorrer. Respira.
8.11.11
2.11.11
Daí essa sensação de lâmina encostada ao peito. Poesia, portanto. Denso, estreito, profundo, cortante - proclamando abstrato em doses distorcidas horárias, meus pensamentos em gritos. Anseio acordar nesse momento ou morrer em meu leito, seu peito, o nu, à todos, instantes, flashes, frames, o fogo. E certeiros, a ponto de bala, convoco-os enxame, abelhas, zumbidos, zombados, árdidos, ferróticos, nervosos, gostosos, os ossos. Me despeço com mel da carne, meu espaço, nos passos, a Lua, no sangue. Daí a sensação da lâmina encostada no peito. Rasgando-o.
27.10.11
esfole o joelho. é só pele.
meus excessos
um ninho
no lugar mais longínquo do mundo
e tudo o que não cabe nesse momento se transforma em intervalo
naqueles vazios de comer o mundo.
25.10.11
24.10.11
dear presente,
Bukowski disse "you have to die a few times, before you can really live", e andamos por aí a rasgar embalagens de plástico com os dentes porque as vezes as mãos não conseguem e temos pressa. Eu posso escrever sobre acordar de boca seca, urgências, de língua solta na boca, sim, tenho uma, entre outras (muitas outras, acrescente-se), taras em que acredito.. Por aqui, poros é sinônimo de coração, o futuro é um erro ortográfico a caminho... E, há quem use teclas que os dedos escolhem para dar corpo de texto ao manifesto. Este domingo morri 7 vezes.
20.10.11
16.10.11
Me leva e não devolve.
Me leva e constrói um bar, vamos fazer alguma coisa grave porque nada mais nos resta. Te resta?
Vai, toma, me leva.
São essas suas palavras e minha loucura,
eu poderia morar em suas palavras,
eu e minha imaginação sem fim.
Não te conheço,
mas não posso viver sem você
assim como não posso viver sem essa minha loucura.
Vocês me salvam.
14.10.11
12.10.11
e então nasce em mim um amor no cérebro
e isto é brilhante, oh é.
onde náufragos se vêem num plano de salvamento
transformados em heróis num funeral agendado
e isto é brilhante
enquanto o sucesso só lhe subiu a barriga
e o coração ainda estanca
me faltam as palavras para dizer tudo aquilo de antes
e isto é brilhante, oh é.
e então vejo em mim um amor no cérebro
como uma criminosa bem vestida
vistosa assumida
sob os olhares acusadores de um mamilo de fora
declaro em mim um amor no cérebro
e tenho urgência
ou sorte.
e isto é brilhante, oh é.
onde náufragos se vêem num plano de salvamento
transformados em heróis num funeral agendado
e isto é brilhante
enquanto o sucesso só lhe subiu a barriga
e o coração ainda estanca
me faltam as palavras para dizer tudo aquilo de antes
e isto é brilhante, oh é.
e então vejo em mim um amor no cérebro
como uma criminosa bem vestida
vistosa assumida
sob os olhares acusadores de um mamilo de fora
declaro em mim um amor no cérebro
e tenho urgência
ou sorte.
7.10.11
comecei a passar reto onde fazia curva
e por fim, me sobrou o sorriso. porque essa história tem por fim um novo começo. enquanto no meio descobria o fim.
Era uma vez, ou melhor, Eram umas vinte e sete vezes que doía aqui. - você enxerga aqui? aqui onde faz curva. Pois bem, fora ali que tudo teve início, meio e fim. Eu esquecia de mim. mas quando doía, era eu que existia. A vida em curva.
- obrigada! - estava na ponta da língua. Em desalinho, acostumada com a sangria, era vermelho o que sinalizava a partida.
Mas a paisagem vinha perdendo sentido, já não mais sentia. E nem mesmo os olhos fechados resistia a fantasia. E o que já fora tremenda emoção dentro da curva, virara peso em contrapartida. Um dia, há tantos e tantos dias do meio, depois do primeiro começo, longe dali, avistou a tal linha sonhada. Delgada, sutil, ligeira. Gaveta aberta. Iluminada. Sem prolongar o discurso, abriu os braços ao sabor do desconhecido. Vislumbrou ser Dona de si, traçou sua ida. partiu.
Hoje quem a vê, diz que segue reta, cabeça erguida. Ela, diz tênue- e sorri.
28.9.11
mut- antes
É chegada a hora de prepararmo-nos para
derreter
exarcerbar
calçar o chão
vestir as paredes
destilar
arrebentar
subir o chão
perder as paredes
A corrupção dos corpos é uma ordem!
Libertos da superfície
Libertos da superfície
em velocidade letal
até surgirem largos loucos livres desenhos de ar sob luz intermitente
Evaporar
*
*
'Intento é a relação com o sagrado'
23.9.11
amores imaginários/pé na estrada/quero todos os elogios à mim escritos nessas paredes/o mergulho na cidade enfiada no copo de vinho/meu destino tinto marcado pra sempre/regresso amanhã envolta nas imagens circulares do amor/na absoluta onipresença das novidades que destilam minhas veias/e se tudo isso não é um sonho/e se o cavalinho se joga na chuva/se a imaginação ainda mata minha sede/e se o mundo nada mais é do que uma rolha em busca de uma janela pra estilhaçar/eu sou feliz pra cacete.
we accept you, one of us!
13.9.11
Preciso de um coração novo. Um coração com menos entulho, menos barulho. Com menos destroços. Com menos abraços desfeitos, menos unhas cravadas - e se possível sem quaisquer detritos impróprios.
Preciso de um coração maior. Quero um coração novo e dos grandes, cheio de ar e de sorrisos, cheio de uma resignação feliz, sem ódio, sobretudo sem ódio, e sem qualquer chama que se alimente do seu oxigênio. Preciso de ar, sem medo de sopros. Um tipo único de coração inflável, para que na exata hora de abrir o peito - porque sempre chega a hora de se abrir o peito- eu falasse em tom rasgado, cheia de charme: Pode chutar, pisar, esmagar à vontade! E então no fim, triunfante, eu anuncio: Rá! este coração nem de felicidade há de arrebentar.
10.9.11
com tamanha dedicação recorto pedaços do mundo
Sou efetivamente uma anti-heroína,
no entanto obrigo-os a abandonar essa ideia tentando com a minha redenção sem, obviamente, permitir que dela se convençam totalmente.
E por fim, deixo-os com os mesmos sentimentos contraditórios,
entre a comoção e o dedo acusador.
Mas como ninguém se salva, tudo bem.
na infância, e ainda, preferia ser um gato a uma flor. Já lhes contei o quanto gosto de malucos, chocolate, de camiseta branca... e que em círculos são incontáveis as minhas aspirações para R-EVOLUIR. Mas, se em inúmeras ocasiões não são precisas palavras, é também por causa delas que trememos.
**Há nesta exaustiva recolha de informação uma urgência em fixar o mundo, própria de quem ainda reserva para si alguma inocência**
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